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A história do povoamento de
Cariacica se confunde um pouco
com a de Viana. No final do
século XVI e inicio do século
XVII, os portugueses fizeram
incursões pelo rio Jucu,
partindo de Vila Velha, e foram
atingindo o atual território de
Cariacica. Assim foram formando
fazendas de cana-de-açúcar e
implantando engenhos. No século
XVII os Jesuítas passaram a
ocupar parte do território. Logo
que chegaram, fundaram novas
fazendas e engenhos. Em Maricará,
a quatro quilômetros da sede do
município, construíram um
colégio que abrigava um
convento. |
Como um
dos mais importantes municípios
integrantes da região denominada Grande
Vitória, principalmente em termos
populacionais, Cariacica tem sua
formação geo-econômica datada do início
da Colonização do Solo
Espírito-Santense.
Os engenhos de açúcar de que se tem
noticia foram instalados em Roças
Velhas, Ibiapaba, Maricará e Cauira.
Através da influência dos Jesuítas,
Cariacica também produzia algodão que
abastecia as tecelagens para consumo
próprio.
Cariacica prossegue no seu curso
histórico, inicialmente conhecido como
Povoado de Cariacica no ano de 1567. Em
1829, Cariacica recebeu os primeiros
imigrantes. Um grupo de 400 pessoas de
origem pomerana sendo acompanhados por
alemães provenientes de Santa Leopoldina
e Santa Izabel, que sedimentaram as
primeiras povoações em Biriricas, Pau
Amarelo e outros locais mais viáveis às
atividades agrícolas.
Ao contrário de outras colônias, os
colonos foram empregados na construção
da estrada de ferro que ligava Vitória a
Minas, Eles trabalhavam no trecho que
passava por Itacibá. E em 1837, é
elevado à condição de freguesia passando
a ser denominado de Distrito de São João
Batista de Cariacica.
Proveniente deste crescimento
populacional, tornou-se possível,
através do Decreto Lei Estadual n0 57 de
25 de novembro de 1890, a criação da
Vila de Cariacica. Em 25 de dezembro de
1890 Cariacica foi elevada à categoria
de município pelo governador do Estado
Constante Sodré. Apesar dessa autonomia
ter ocorrido nesta data, as comemorações
são realizadas no dia 24 de junho, por
ser o dia de São João Batista, padroeiro
de Cariacica.
A população de Cariacica, que até
então concentrava-se na sede, com
características predominantemente
rurais, passou a ter suas atividades,
que eram basicamente de trabalhos
agrícolas, em atividades de apoio a
comercialização e transporte de
mercadorias.
Esta mudança foi incentivada pela
construção da Estrada de Ferro Vitória -
Minas, que tinha como objetivo o
escoamento da produção agrícola do
interior do Estado, e principalmente de
Diamantina (MG), para ser exportado pelo
Porto de Vitória.
Isso acarretou a necessidade de
construção de algumas obras de apoio
como a construção de Porto Velho e de
Cariacica (sede) e a implantação de
infra-estrutura, como almoxarifados,
oficinas e armazéns de estocagem.
Em 1938, surge o primeiro loteamento,
a população continua crescendo em ritmo
acelerado.
Na década de 40, com a inauguração da
Companhia Vale do Rio Doce (CVRD),
construção de oficinas de carros e
vagões em ltacibá e as estações de
Flexal e Vasco Coutinho, a abertura da
estrada de Vitória a Rio de Janeiro,
surgem novos loteamentos e a população
urbana do município aumenta mais que o
seu dobro, apesar da rural ser ainda
muito maior.
Na
década de 50, começa a ganhar
significado o parcelamento do solo em
Cariacica, quando em 1955 foram
aprovados 10 (dez) loteamentos. De 1953
a 1956 foram aprovados 26 (vinte e seis)
loteamentos em apenas 04 (quatro) anos.
A maioria localizada nas proximidades da
BR-262.
Nessa
época observa-se nitidamente o número de
habitantes do município tendo um
crescimento exorbitante com a migração
de pessoas oriundas do interior do
Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de
Janeiro e Bahia.
Outro
fator que certamente atraiu a vinda
dessas pessoas, foi a venda de terra a
baixo custo. Apesar de Cariacica estar
perto da capital do Estado, não era
considerada como área nobre.
O parcelamento desordenado do solo,
ocorreu sem a implantação da
infra-estrutura básica necessária.
A partir
dos anos 60, começa haver um impulso no
setor industrial de Cariacica, passando
o município a ser o mais importante pólo
industrial da região. Muito embora tais
indústrias não utilizassem matéria-prima
local e terem como principais mercados
consumidores outros Estados e o
exterior, vantagens com a ligação com
importantes eixos viários, facilitando o
contato com centros consumidores, preço
acessível da terra, infra-estrutura
disponível na região, isenção do ICM e
disponibilidade de mão-de-obra
existente, foram fatores importantes
para o crescimento do setor.
O parcelamento do solo continua tendo
novos impulsos. Entre 67 e 70, são
aprovados um total de 25 (vinte e cinco)
novos loteamentos em torno da BR-262.
Também nessa época, Cariacica começa a
perder seu papel de pólo industrial mais
dinâmico da Grande Vitória, com a
decisão de se construir em Vitória, o
Porto de Tubarão. Com a sua inauguração
em 1967, este atraiu para suas
proximidades grandes investimentos a
serem implantados em Vitória e Serra,
perdendo assim o município,
sensivelmente o seu dinamismo
industrial.
A partir dessa época, acelera-se em
Cariacica um crescimento desordenado no
setor urbano, com inúmeros loteamentos
clandestinos e invasões, o que facilitou
grande oferta de imóveis destinados à
população de baixa renda, surgindo assim
sérios problemas sociais e ambientais
para o município.
CARIACIA OU CARIJACICA
Cariacica
era propriamente o nome do rio que desce
do MOCHUARA e de uma serra adjacente. A
primeira é uma pedra gigantesca,
barômetro infalível das populações
ribeirinha, pois a coroa de alvas
neblinas representa o sinal introdutório
de que a chuva não se delonga.
É interessante notar que, não conhecem
os habitantes o verdadeiro nome desse
granito, porque indiferentemente o
qualificam de Monchuar (Muchuar - veio
de diamantes) ou até com certeza de
Muchauara (pedra irmão) estribando-se,
talvez, nos conhecimentos da língua
tupi.
Outra mais
lendária, é a que se baseia numa
possível exclamação de tripulantes
franceses ao se aproximarem, na estrada
da baia de Vitória: “Mouchoir!” Vendo o
Muxanara, com a sua coroa branca,
acharam-no parecido coberto por um lenço
(Mouchoir).
Carijacica — “chegada do branco” foi
denominação tupi, e, com o correr dos
anos, a linguagem acabou de abreviar.
Confinando-se com aquelas serras está
a cordilheira de Duas Bocas, que,
atualmente, com as barragens nela
construídas, fornecem água para a
capital do Estado. As primeiras
construções neste sentido datam de 1896,
por iniciativa do município de Cariacica
e ampliadas em 1909 pelo governo do
Estado.
O filete
d’água corrente, engrossado por pequenos
mananciais, dirige-se inclinado para o
oeste com 18 quilômetros de curso e
deságua na baia de Vitória. A sua foz,
um pouco ampla, ofereceu nos primeiros
tempos acesso fácil à pequenas
embarcações que atingiam o Porto de
Cariacica, primitivo centro comercial,
ponto de contato entre a costa e o
interior. O território municipal deve o
seu nome a esse pequeno tributário do
oceano.
Porém, como se pode observar, não é
ainda aí que se iriam fixar os elementos
humanos para a formação de um núcleo
mais evoluído de colonização, senão com
esparsos engenhos e fazendas de criação
de gado. O ponto de referência seria a
oeste do Porto de Cariacica e Bubu, no
planalto a 36 metros do nível do mar,
constituído acima das fraldas da
montanha da Fazenda do Quartel, tendo do
lado oposto a região de Areinha e Coanga,
por onde descamba pelas baixadas recém
abandonadas da Estação da Estrada de
Ferro Vitória-Minas.
Esse planalto outrora foi conhecido
por Água Fria, aliás por circunstância
de fácil dedução, em se sabendo da
existência de um filete d’água
cristalina e frigidíssima, que ainda
hoje desce do sulco formado em terrenos
circunvizinhos ao Grupo Escolar Augusto
Luciano.
Passou a ser conhecido por Morro da
Igreja, quando o Presidente da
Província, José Thomaz de Araújo,
ordenou a construção da Igreja Matriz,
conforme o art. 1º da lei nº 6, de 1839,
no local que melhor conveniência
apresentasse. Esta foi a conseqüência
lógica do ato de 13 de dezembro de 1837,
considerando a freguesia, chamada pela
Igreja Católica, de São João Batista
de Cariacica, como termo de Capital.
Era, como se vê, a formação elementar da
autonomia política e administrativa
municipal, com o nome reconhecido de
Cariacica e os limites dos Distritos de
Paz, confirmados mais tarde nos termos
da Lei nº 2, de 11 de março de 1864,
numa circunscrição de 400 quilômetros
quadrados.
Devo salientar que embora fosse uma
obrigação oficial a construção da Igreja
Matriz, como não devemos desconhecer a
interdependência havia entre a Igreja e
o Estado, para erguê-la, no entanto,
valeu-se o povo do seu próprio esforços,
sob orientação valiosa e indispensável
do padre italiano, Frei Ubaldo Civitela
Di Trento.
Para conseguir o seu objetivo, este
padre organizava procissões com
características muito interessantes.
Cada devoto carregava uma pequena pedra,
células mínimas, que iriam formar a
estrutura dessa majestosa construção
secular. Dedicamos, a seguir, um tópico
só para contar um pouco da história
deste Frei.
Frei Ubaldo Civitela Di Trento
O frei Ubaldo Civitela Di Trento
chegou ao Brasil em 1847. Veio da
província de Abruzzos, na Itália, para
trabalhar na catequese dos índios no
Espírito Santo. Iniciou seu trabalho
como missionário na capital da
província. Depois foi para a então
Freguesia de Viana, hoje município da
Grande vitória.
Somente depois de retornar à capital
da província, por motivo de doença, é
que foi para Vila de Cariacica e em 1849
deu inicio à construção da igreja matriz
de São João Batista, padroeiro do
município até hoje. Nesta época o
escravo negro era usado somente na
produção agrícola.
No Espírito Santo eles estavam
distribuídos da Vila São Mateus (norte)
à Vila de Itapemirim (Sul). Viviam como
a população escrava brasileira, em
condições onde fugas, aquilombamentos e
revoltas eram constantes. Frei Ubaldo
tinha conhecimento da situação nacional
desde a sua chegada à capital da
província.
No Estado, frei Ubaldo encontrou outro
italiano, frei Gregório José Maria de
Bene, responsável pela construção da
igreja de Queimados, na Serra. Em suas
pregações eles condenavam a escravidão
em todas as suas formas. Lembravam aos
escravos a plena liberdade dos povos
da Europa e criticavam o cativeiro no
Brasil.
As pregações dos missionários
italianos influíram primeiro no reduto
de Queimados, onde mais tarde ocorreria
a insurreição. Foi nesta época que os
dois missionários italianos combinaram
libertar os escravos caso fossem
ajudados na construção das igrejas.
Calculou-se que em um ano a igreja da
Freguesia de Queimados estaria concluída
e no dia do padroeiro da Serra, São
Benedito, os escravos que tivessem
ajudado na obra seriam libertados.
Enquanto isso em Cariacica os
habitantes não mediam esforços para
ajudar frei Ubaldo na construção da
igreja que mais tarde se tornaria marco
de formação do futuro município. Os
fiéis faziam procissões nas quais
carregavam pedras para edificação. O
número de escravos era inferior a
Queimados. Mas eles acreditavam na
liberdade prometida.
Quando aproximava-se o dia da
liberdade, frei Gregório fez uma
declaração que causou revolta. Disse que
a liberdade prometida era a de Deus, não
a alforria, porque só aos senhores cabia
a permanência dos escravos nos
cativeiros. Da frustração para as armas
foi um pulo.
Não demorou a conspiração fez-se sentir
e a agitação dos ânimos tomou-se o
prelúdio da insurreição. Armados eles
foram às fazendas exigir aos senhores
suas cartas de alforria.
Mas na capital da província o
presidente, na época o desembargador
Antônio Joaquim da Siqueira, era
informado da situação e mandou tropas
para Queimados, Cariacica e Itaoca. A
rebelião durou dois dias. Muitos
escravos foram presos, outros mortos.
Frei Gregório foi preso com os escravos.
Após chegar à capital a noticia de que a
ordem havia sido restabelecida, o
presidente da província mandou apurar os
fatos e os dois freis foram envolvidos.
A igreja de Cariacica não havia sido
concluída quando chegou ordem expressa
do presidente da província para que frei
Ubaldo fosse levado à corte. Os dois
freis foram responsabilizados pela
revolta dos escravos e considerados
nocivos à tranqüilidade pública. Somente
em 1851 é que a igreja de Cariacica foi
concluída. Um ano antes frei Ubaldo cai
doente e morre de febre amarela no dia
16 de junho de 1850.
É notório na civilização brasileira a
influência de um templo religioso. Onde
fosse construído, num tempo
relativamente curto, vasta população se
estabelecia em derredor. A história nos
atesta e os fatos confirmam esta
realidade.
Grande período da história de
Cariacica se perde no vácuo das
cogitações lendárias e nas atividades
puramente coloniais, esgotando os
recursos naturais de mais fácil
obtenção, sem qualquer traço nítido que
chamasse o interesse dos colonizadores.
Somente depois que teve população
realmente estabelecida, pôde melhor
salientar, já então no Primeiro Império,
quando produzindo a cana, o algodão, o
milho e outros produtos cultivados pelos
escravos, representando em mais alto
grau, como em toda a sua existência,
fatores preponderantes da economia
provinciana, aliada a uma ampla criação
de gado bovino. A agricultura foi o seu
campo de atividade inicial. Hoje,
entretanto, diversas fábricas, para
diversos fins, estão localizadas em
vários pontos do município. Esta foi a
sua base histórica primordial.
Imigração e Colonizado
Somos um povo por excelência formado
pelo caldeamento das diversas raças e
que por quatro séculos vem aprimorando o
protótipo nacional.
O português, valendo-se das
prerrogativas de descobridor, apoiado
por sua potência marítima, traz as
primeiras levas de desterrados e
patriotas aventureiros. A terra era
imensa e as florestas inacabáveis. O
índio indolente, desconfiado e rebelde.
A solução foi o trabalho escravo negro
africano, que veio trazendo o seu vigor
físico, o seu sangue e coragem para
desbravar a terra virgem. Indio, branco
e negro são os elementos fundamentais da
nossa formação racial.
Os primeiros imigrantes trazidos para
Cariacica datam dos anos 1829 e 1833,
localizados em 1830, em número de 400,
em virtude do contrato feito pelo
governo, em 12 de novembro de 1829.
Muito embora saibamos que negros e
índios, muito antes haviam penetrado
para o interior conduzidos pelos
escravocratas. Aqueles imigrantes
oficiais, eram todos pomeranos,
introduzidos por Mr. Henrici, com a
finalidade de se empregarem na limpa da
estrada, que por Itacibá, devia
comunicar-se com Minas Gerais.
Estas e outras limpas efetuadas, mais
tarde, vieram a ser aproveitadas para o
leito da Estrada de ferro Vitória, em
muitos trechos, quando inaugurada em
1904. Correntes mais fortes para o
povoamento, só se vêm registrar depois
de 1865, pela formação de colônias
alemãs, vindas de Cachoeiro de Santa
Leopoldina e Santa Isabel, instalando-se
em Biriricas, Pau-Amarelo, Holanda,
Tirol, estas últimas, já no município
cachoeirano.
Os
primitivos habitantes na fase primária
da sua história, eram indígenas, que com
o afastamento, fizeram seu último reduto
em Itanhenga, entre os rios Santa Maria
e Cariacica, desaparecendo por completo.
De tribos não há notícias, sendo
prováveis de goitacazes, tupiniquins e
aimorés. Conheceu-se o índio Benedito, o
“Velho Bino”, como era chamado, morando
numa barraca na baixada do Porto de
Cariacica. O índio Manoel da Conceição e
a Luíza Conceição, são duas figuras, que
da realidade e da ficção de suas
existências, foram a beleza primária da
sua história. As lendas que muitas vezes
os envolvem, são páginas transcritas da
vida dos primeiros habitantes,
projetadas para a sensibilidade dos
futuros artistas que as puderam conceber
na realização de suas obras. Que
existiram, não resta a menor dúvida,
pois o valor bastante, comporta a
tradição, único meio seguro no seio de
famílias incultas, no alvorecer da nossa
colonização. A não ser nas colônias
alemãs, não se nota uma predominância de
estrangeiros na sua população mesmo
naquelas, o que hoje existe é uma
tradição. Os hábitos e os costumes, com
as influências portuguesas, e deixando
em seu lugar, o realismo envolvente da
própria terra. O linguajar cantado,
quando faz interrogações em negativas e
interrogativas, é outro tanto de
peculiaridades do povo, inerente à sua
própria condição, em nascendo do
caldeamento das raças das mais diversas.
Papel saliente desempenhou na história
econômica brasileira, o jesuíta. Guarda
avançada da civilização européia ,
integrava-se numa rápida assimilação no
“hínterland” nacional, levando , desta
forma, as primeiras luzes aos filhos
nativos de nossa terra. Era o escudo
protetor, barreira intransponível,
amalgamada no carinho e na bondade. Onde
chegasse havia acolhimento, um reflexo
autêntico desse caráter concentrado na
meditação de homens devotados à causa
sublime de Deus.
Deles as primeiras escolas e os
primeiros engenhos nos mais distantes
rincões do país. Mancará é bem o
protótipo dessa hospitalidade monacal. A
sua situação invejável, ao lado de um
córrego, foi berço dessa fecunda
atividade. Distando quatro quilômetros
da sede do município, possuía por
construções jesuíticas, a margem direita
da sua atual represa, misto de colégio e
convento, sob administração clerical, um
grande prédio. Um pouco acima estava o
antigo cemitério, comprovado vez por
outra vestígios de ossatura humana.
Os mais
remotos engenhos de açúcar de que se tem
noticia, são os de Roças Velhas,
Ibiapaba, Maricará e Cuira, que revelam
este espírito de batalhadores incansável
nos jesuítas.
A localidade de Roças Velhas, nas
proximidades do Mochuara, conserva o
mesmo nome. Itanheenga foi o último
reduto dos selvagens, entre o rio Santa
Maria e Cariacica, na fuga lenta, dando
o avanço da colonização pelas entradas
aventureiras. Seu nome, de origem tupi,
reflete o medo dos silvícolas as forças
estranhas da natureza. “Jta”- pedra — e
“anheenga” —inferno — isto: é, pedra do
inferno, demonstra o panteísmo
naturalístico, tão bem compreendido por
Rocha Pombo, arraigado na mentalidade
teológica dos nossos aborígenes. Outra
versão lendária, que se toca intimamente
com a primeira, é a seguinte: certa vez,
o chefe tupi dera o seu grito de guerra,
agressivo e altissonante. Para surpresa
sua, respondeu-lhe incontinente o eco
das montanhas. Diante do espetáculo
inédito, gritou para os companheiros: -
Itanheenga, isto é, pedra que fala,
originando a designação atual de
ltanheenga.
Esta região está situada no município
de Cariacica. Foi considerada como
terreno devoluto, sendo adquirida e
anexada ao seu território, conforme
pedido feito ao governo do estado, em 18
de maio de 1895, constituindo hoje a
extensa área desapropriada para
isolamento daqueles que sofrem do mal de
Lázaro.
Na mesma circunscrição está o
preventório onde residem os seus filhos,
em pavilhões com silhueta de modernos
edificios livre, “O Alzira Bley”. O
município de Cariacica tem
possibilidades inegáveis da presença do
petróleo, na região do Sapá de
Itanheenga. O Dicionário Histórico,
Geográfico e Estatístico da Província do
Espírito Santo, editado em 1878,
laconicamente assinala a presença destes
minérios nas nascentes daquele rio. Nos
confins do município de Cariacica, no
sitio de Boqueirão. E incontestável a
presença destes minérios.
No governo do Coronel Henrique da
Silva Coutinho, o falecido Guilherme
Gegenheir ofereceu ao saudoso Dr.
Mazelli, amostras que analisadas,
acusaram 80% de feno. Neste governo o
Dr. Mazelli exercia o cargo de Técnico
na Secretaria da Agricultura. E
incontestável a presença destes
minérios. Já no governo de Jerônimo
Monteiro, novamente, foi entregue a ele
amostras que submetidas a apreciação
técnica, mereceram os maiores encômios,
iniciativa esta que ressalta a figura do
respeitável Sr. Francisco Carlos Schwab
Filho e ao Dr. Augusto Ramos, engenheiro
que executou os trabalhos de Duas Bocas.
Muito além do horizonte de Duas Bocas
nas propriedades dos Barcelos, no Baixo
Boqueirão, entre o cenário magnífico,
trabalhado pacientemente por uma lenta e
contínua erosão. Esta pode ter sido a
causa da profunda cavidade existente,
com mais de cinco metros de diâmetro, e
que desaparece para o seio do solo..
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As Lendas do Mochuara
Já
não constitui mistério, que
estas elevações que se
assemelham de Cariacica,
verde-azuladas para as bandas do
norte, no morro da Serra,
emerge, na inocência do panorama
natural, um vulcão de proporções
assustadoras, felizmente
extinto. Os engenheiros vindos
do Rio, calcularam numa possível
erupção, quarenta quilômetros em
derredor a extensão que seria
alcançada pela avalanche das
suas larvas Afirmou
categoricamente o padre Luiz
Fuchs. Nestas condições,
Cariacica, dada a sua
proximidade seria a primeira
cidade atingida.
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No
horizonte oposto, nos lados do sul,
ergue-se majestoso o Mochuara, tendo um
fim do azulado, permanente, dando-lhe os
contornos nítidos do seu trono granítico
milenar. Poucos, a não ser os
navegantes, sabem que ele, o morro da
Serra, é um perfeito guia para orientar
os pescadores em alto mar, razão porque
é por eles conhecido de Mestre Alves, o
que talvez quisessem dizer com acerto de
Mestre Alvo, pela coroa branca que o
encarapuça nos dias nebulosos. O
privilégio de orientação nos
tripulantes, como tive oportunidade de
observar, não pertence somente ao mono
da Serra, nem tão pouco ao Mochuara.
Entre os dois, mais ao fundo, a Pedra do
Escavado toma parte saliente no cenário.
Os três pontos elevados são guias
naturais. Esses três pontos envolvem
protetoramente a cidade de Cariacica,
dando-lhe o cenário completo enfatizado
pelos requintes da simplicidade da
natureza. Dir-se-iam que embebidos pela
contemplação da mútua do Morro da Serra
e o Mochuara procurassem buscar na
postura infatigável, meio secreto de
comunicação, perpetuando desta forma um
romance interrompido. O povo foi sempre
crédulo das suas arengas e engenhoso nas
suas histórias. Corrobora as suas
assepções a afirmativa de um ascendente
qualquer, falecido em gerações passadas.
A noite de Natal, consagrada pelo mundo
cristão para homenagear o nascimento de
Cristo, solenizada pelos mistérios
sagrados da religião, deixou sempre em
cada alma, um sulco profundo de
recordações indeléveis de quadros
infantis, no aconchego de um lar
confortador. A maravilha do nosso céu de
verão, nessas noites cálidas, foi sempre
inspiradora de uma nova estrela,
apontando no espaço o caminho da nova
redenção humana.
A lenda do Mochuara é bem o produto
desses fatores. Foi amalgamada na
consciência do ingênuo produtor dessas
imagens e cinzelada pelo artificio das
produções comuns. Em noite de Natal,
comumente iluminada por milhões de
estrelas, corre no céu uma bola, qual
piróforo sacerdotal, com radiações
diamantinas, do Mochuara para o Morro da
Serra e vice-versa. E assim,
consecutivamente de ano em ano, mudando
erraticamente de lugar, a mensagem
fluorescente cumpre as vontades do “deus
cupido”. Afirmam os prosaicos
continuadores desta lenda, e com
‘certeza, que no próximo Natal à meia
noite, a sua viagem será partindo do
Mochuara. Porém, afirma-se que a tocha
incendiada que caiu sobre o Morro da
Serra não viera propriamente do Mochuara.
No entanto, vale como uma feliz
coincidência. Talvez seja mesmo um
fenômeno físico esporádico qualquer.
Esperemos o outro Natal e, em todos os
anos não cansemos de perscrutar os céus,
em busca do ponto perdido no horizonte,
o sinal retinto, iluminado pelas
emanações de uma fé inabalável. E se por
acaso, a confirmação for negada, não nos
iludamos com a inexistência, lembremos
que o segredo foi feito para “quatro
paredes”. Até as pedras podem corar com
os olhares impudicos, devassando o seu
segredo de amor, e declinarem animados
do encontro marcado pelo relógio do
universo.
Só assim continuará viva uma lenda,
talhado na palheta inconfundível do
artista comum e debulhada com carinho no
quadro vivo da natureza. Seguindo-se
outras hipóteses, Cariacica é mesmo uma
terra de maravilhas. Fogos cruzam o
espaço e, galerias misteriosas se
enchafurdam na lama. São casos esparsos
que se confundem nos entrechoques
fantásticos das criações engenhosas, no
céu e na terra, conspirando cada vez
mais para a irrealidade da vida. O homem
gosta de pesquisar, e por ser um ser
sociável por excelência e, fora deste
meio social, é como a flor sem vida,
murcha sem beleza selvática que a
natureza nela soube imprimir. A
coordenação dos seus esforços é tão
natural e espontânea como se fosse uma
lei da sua própria vida.
A bandeira
do município de Cariacica foi criada
através do Projeto de Lei nº 09/72,
constando de um retângulo verde e
branco, contendo no centro o brasão do
município composto de um elenco de
cores: verde, amarelo, azul, branco e
vermelho que representam os fatores da
economia municipal alusivos à
agricultura, pecuária e indústria.
Em 21 de janeiro de 1992, entrou em
vigor a mudança na bandeira, através do
Projeto de Lei cm - 050/92 que após
sancionada, a Lei ganhou o nº 2.310/92
que insere no brasão a configuração do
maciço “mochuara”, com sobreposição de
torres compatíveis com a ciência a
título de heráldica.
O brasão passou a ter a seguinte
constituição: em campo azul, verde e
vermelho, encimado pela cor mural de
seis torres, sendo quatro a vista em
perspectiva no desenho, em prata.
Ornamentos representados pelo maciço
“mochuara” em cinza, pela indústria em
preto e vermelho; e pela agropecuária: a
cana-de-açúcar, o gado e banana.
Listela de cor amarela, contendo o
topônimo Cariacica ladeado pela data que
assinala a emancipação do município (30
de dezembro de1890), em vermelho.
TOPO
Período
Prefeitos Histórico
1890 Álvaro Coutinho Alvarenga
Nomeado-renunciou antes de cumprir o
mandato provisório
1890 Major Ignácio de Almeida Nomeado a
partir de 30/12/80 pelo governador
Henrique da Silva Coutinho.
1892 a 1896 Antonio Manoel Lopes
Loureiro Primeiro prefeito eleito pelo
voto democrático substituído muitas
vezes pelo seu vice.
1896 a 1900 Emydio de Siqueira Pinto
1900 a 1902 Olímpio de Oliveira Trancoso
1902 a 1904 Antônio Manoel L. Loureiro
1904 a 1910 Francisco C. Schwab Filho
1910 a 1912 Ignácio Francisco Cravo
1912 a 1914 Andrônio Pinto Duarte
1914 Francisco Carlos D’Oliveira Governo
de transição. Permanece até as eleições.
Seu Vice Francisco C. D’Oliveira,
assumiu muitas vezes.
Mai/14 Francisco C. Schwab Filho
Mai/16 Carolino Rodrigues P. Firme
Eleito Governador-Presidente do
município
1918 a 1920 Antônio Pinto Duarte
1920 a 1922 José Firme
1922 a 1924 Antônio Pinto Duarte
1924 a 1928 Walfredo Ferreira Paiva
1930 Adalberto Barbosa Permaneceu até a
Revolução de 1930
1930 a 1931 Junta Governativa,
constituída pela Revolução Em 1931 a
Junta foi desfeita por Manoel Monteiro
de Moraes
1931 a 1936 Genésio Cardoso Hilário,
SegismundoSonegheti, Olimpio Moreira da
Cunha
1936 a 1942 Roberto Couto
1942 a 1946 Álvaro Gimenes Nomeado pelo
governador do Estado
1942 a 1946 Álvaro Gimenes Nomeado pelo
governador do Estado
1947 a 1951 Joaquim José Vieira
Período
Prefeitos Histórico
1951 a 1955 Licério Francisco Duarte
Eleito pelo voto popular, filho de
Antônio P. Duarte
1955 a 1956 Jocarly Gomes Sales
1956 a 1963 Eduartino Silva
1942 a 1946 Álvaro Gimenes Nomeado pelo
governador do Estado
1947 a 1951 Joaquim José Vieira
1951 a 1955 Licério Francisco Duarte
Eleito pelo voto popular, filho de
Antônio P. Duarte.
1955 a 1956 Jocarly Gomes Sales
1956 a 1963 Eduartino Silva
1963 a 1969 Jocarly Gomes Salles
1969 a 1970 Vicente Santório Fantini
1970 a 1972 Aldo Alves Prudêncio
1973 a 1978 Vicente Santório Fantini
1978 a 1980 Aldo Alves Prudêncio
Governou até dezembro/80, quando foi
assassinado.
1980 a 1981 Joel Lopes Rogério
Presidente da Câmara substituiu Aldo
Alves Prudêncio. Morre com disparos de
sua arma de fogo, em 9/12/81.
1981 a 1983 Wagner de Almeida Outro
Presidente da Câmara que assume a
Prefeitura.
1983 a 1984 Vicente Santório Fantini Em
10/84 se afasta devido a um derrame
cerebral.
1984 a 1986 Nelço Secchin Vice-Prefeito.
Assume em out/84. Em fev/86, é afastado
sob a acusação de corrupção.
1986 a 1987 Claudionor Antunes Pinto
Permanece de 12/02/86 a 04/87, como
Interventor.
1987 a 1989 Milton da Rocha Melo
Presidente da Câmara que assume em
abril/87 a janeiro/89, em lugar do
Interventor.
1989 Vasco Alves de O. Júnior Governou
de 01/01/89 a 18/05/89. Afastado por
acusação de irregularidades
administrativas.
1989 Augusto César Meloti Melo Vice
assume o lugar de Vasco
1989 Vasco Alves de O. Júnior Governou
durante 14 dias. Afastado após anulação
de uma Liminar
1989 Augusto César Meloti Melo Governou
durante os meses de setembro e outubro.
Período
Prefeitos Histórico
1989 a 1992 Vasco Alves de O. Júnior
Retorna à Prefeitura por decisão do
Conselho Superior da Magistratura do
Espírito Santo. Reassume em 03/10/89 até
04/92
1951 a 1955 Augusto César Meloti Melo
Governou de 04 à 12/92
1993 a 1996 Aloízio Santos Eleito e
empossado sob a égide da Lei Orgânica do
Município de Cariacica
1997 a 2000 Dejair Camata Morreu em
acidente automobilístico em 26/ 03/ 2000
2000 Jesus dos Passos Vaz Assumiu no dia
26/03, um domingo. No dia 1° de novembro
foi afastado pela Câmara de Vereadores
2000 Joscelino Miguel da Silva .Assumiu
na manhã do dia 2 de novembro
2001 Aloízio Santos Assumiu o cargo no
primeiro minuto, numa iniciativa
inédita, tendo sido o primeiro prefeito
do País a assumir o Governo de
madrugada. A solenidade na Câmara foi
bastante concorrida pelos políticos,
população e imprensa, pela novidade.
Cariacica tem uma história política
conturbada, que mostra que a partir da
administração de Aldo Alves Prudêncio
até a de Vasco Alves, ocorreram um série
de fatores como mortes, assassinatos,
problemas de saúde, cassações de
mandato, etc, que contribuíram para o
Poder Executivo Municipal, não
conseguisse ver seus chefes, cumprirem
os seus mandatos.
Contou também com grandes
administradores, como é o caso de
Vicente Santório Fantini que governou
Cariacica em três mandatos distintos,
sendo que o último foi interrompido por
um derrame, seguido de morte. Sua
maneira de fazer política, de
administrar, seu jeito simples, seu
carisma, são até hoje lembrados e
discutidos onde quer que se faça ou
discuta política no município. Ele foi
considerado um dos maiores líderes
políticos no Município e no Estado. Ele
entrou para a História como um
administrador que fazia obras arrojadas
e com visões de futuro.
Após a revolução, o município foi
controlado por uma Junta Governativa,
somente dissolvida com a designação de
Manoel Monteiro de Moraes (1931). Com a
saída desse prefeito, outros foram
designados por um Interventor Federal no
Estado. Em 1947, novamente pela forma
democrática, foi proclamado Joaquim José
Vieira, ficando até 1951.
A questão sucessória não parou. Outros
prefeitos foram eleitos e cuidaram da
construção de escolas, rede de esgoto,
praças, cemitérios. A construção de
siderúrgicas, fábricas de móveis,
tecidos e confecção, o transporte
coletivo, o asfalto das principais
rodovias federais que demandam o
município foram importantes para o
desenvolvimento da região. |